Tenho um parente doente. E agora?
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“Há dois anos o meu pai sofreu um AVC e ficou inválido e sem fala. No inÃcio eu tinha bom ânimo, pois pensava que ele se recuperaria, ficaria curado e as coisas seriam melhores do que antes, parei de trabalhar para ajudá-lo, mas ele não melhorou. E o pior é que passei a ter maus pensamentos e a ficar imaginando coisas ruins constantemente, como por exemplo: que podemos morrer a qualquer momento e também, o que acontece com o corpo depois da morte (apodrece, é ¨comido por vermes” e se decompõe) e estas e outras coisas faz com que eu me sinta mal. O que devo fazer para resolver este problema?” – Cláudio
Resposta: O papel de cuidador de um ente querido é um dos mais difÃceis que existem, não só pela tarefa de acompanhar uma pessoa que amamos em uma situação de sofrimento, como pelos sentimentos conflitantes que ela desperta. É normal que, por pior que seja o quadro, tenhamos a esperança de ver a doença se curar e tudo voltar ao que era antes. Essa esperança foi o que fez você, por exemplo, deixar seu emprego, por acreditar que a doença de seu pai seria passageira.
Conforme você foi percebendo que ele não iria melhorar, você provavelmente entrou em contato com o sentimento de perda, de luto pelo seu pai e com a necessidade de aceitar sua morte. Ao entrar em contato com a morte de alguém próximo, entramos também em contato com nossa própria mortalidade e é normal que tenhamos medo de morrer e muitas vezes pensemos como e quando isso vai acontecer.
No entanto, como ele ainda está aos seus cuidados, pensar em morte provavelmente desperta um sentimento de culpa, de que isso é errado e que você deveria estar preocupado em ajudá-lo. Porém, muitas vezes quem cuida também precisa de cuidados, pois ao abrir mão de vários aspectos de sua própria vida surge o sentimento de solidão, desânimo, abandono pelos outros e frustração.
Quais são suas atividades hoje, além de cuidar do seu pai? Você diz que parou de trabalhar para ajudá-lo, isso ainda é uma realidade? Você divide essa tarefa com outras pessoas (irmãos, outros parentes, ou enfermeiras)? O que você tem feito por si próprio? Conversa sobre seus sentimentos com alguém próximo?
Você faz algo para se divertir? Muitas vezes, quem assume o cuidado de um parente não se sente no direito de se divertir e cuidar de aspectos da própria vida pode trazer grandes sentimentos de culpa. Talvez você precise de ajuda para aprender a lidar com os seus sentimentos a respeito da sua situação atual e de seus planos para o futuro.
Atenção: As respostas fornecidas nesta seção não substituem o processo terapêutico e  devem ser entendidas como um direcionamento, que pode não abranger a complexidade da situação vivida, uma vez que as informações obtidas das perguntas são restritas. Os nomes serão trocados para proteger a identidade dos participantes.

