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Nosso sentimento é especial?

“Eu conheci um rapaz há 5 anos em um baile de forró e nós dois adoramos dançar juntos. A nossa química combina em um grau que irradia a todos os presentes, é algo mágico e além disso combinamos na parte sexual também (quer dizer, ultimamente esta parte restou apenas por mim). Mas, mesmo assim ele tem muito carinho por mim e se sente excitado quando me vê. Tenho um pensamento fixo por ele, durmo pensando nele e acordo também com o pensamento fixo. Isto dura por meio de umas 8 horas no dia depois desaparece e as vezes  tenho dificuldade em voltar a ter as lembranças dele. Já contei pro meu psiquiatra e ele não diagnosticou como doença e sim como amor ou paixão. Mas, acho que é um distúrbio emocional, tenho várias explicações mas, nenhuma ainda me convenceu. Quero me curar deste sentimento pois me causa 30% de bem estar e os outros 70% de mal estar. Nossas raízes são muito diferentes: ele é nordestino e eu sou paulistana. Nossos costumes culturais são um choque e mesmo assim fico passando por cima de tudo isto.
Ele é um rapaz separado, tem um filho de 9 anos que cuida sozinho desde os 2 meses, é super carinhoso com o filho, coloca o filho acima de tudo e também é híper afetuoso, (acredito que esteja aí meu apego) porque não tive isto nem de pai, nem de mãe, nem de ex marido e meu ex também não foi assim para os meus filhos. Se isto for realmente a explicação deste meu sentimento por ele, o que devo fazer pra me curar?
Acredita que ele sai com várias ficantes e eu não me incomodo porque analiso que se faz isto é porque não quer se prender a ninguém porque ainda não encontrou a que realmente quer e, se faz na minha frente mas me quer, é uma forma de me fazer reagir e eu não questiono nada, ainda mais levando-se em conta que desde que nos conhecemos estamos neste impasse e as outras mulheres com quem ele já se envolveu passam e não voltam à vida dele.
Eis a questão: o nosso sentimento é muito especial, ou não? As outras mulheres são mais espertas, sãs, desencanadas que eu ou, pra ele, elas não marcam em sua vida ???”- Rosana

Resposta: Você coloca uma questão muito importante em sua questão – como avaliar se o que sentimos pelo outro é saudável e deve ser mantido. Pelo seu relato posso perceber que vocês gostam de passar momentos juntos e que há uma atração mútua, mas não há o desejo das duas partes em transformar esse vínculo em um relacionamento mais profundo. Ele pode procurar você porque sabe que você gosta dele e ter dificuldade em romper definitivamente porque pensa que você irá sofrer. Por outro lado, você não consegue se afastar dele, mesmo sabendo que suas diferenças são muito grandes porque recebe alguma forma de afeto, que você mesma diz que não teve de nenhuma das figuras de importância em sua vida.

Se fizermos uma comparação com uma compulsão por algo que nos traz um prazer momentâneo, como comer, comprar, beber ou usar drogas, podemos ver que todas essas coisas trazem o prazer, a fixação pelo assunto (a pessoa não consegue parar de pensar no assunto durante uma boa parte do dia), mas no final o que sobra é o desprazer, seja por culpa ou porque essas coisas não são suficientes para “tampar o buraco” emocional que fica. No seu caso, essa relação te faz bem por alguns momentos, mas como não é suficiente, você fica com vontade de ter sempre mais. E, não se importa de dividi-lo com outras porque sabe que se brigar com ele talvez não o tenha mais.

Um relacionamento saudável precisa de pessoas que tem os mesmos objetivos, expectativas, desejos e  valores compatíveis (não necessariamente iguais). E deve ser mantido quando se sente que o afeto que o outro dá é suficiente. No entanto, ninguém é capaz de suprir sozinho todas as necessidades emocionais de outra pessoa, então você precisa avaliar de onde você pode obter o afeto e o reconhecimento de que precisa (amigos, trabalho, família, cuidados consigo mesma, hobbies, etc). Pode ser que você tenha aprendido um padrão de pouco afeto e isso faça com que você se “contente com pouco”, mas esse tipo de padrão fará com que você empobreça emocionalmente, porque todo ser humano tem o potencial de dar e receber afeto em abundância. Talvez você precise aprender como aceitar um afeto de melhor qualidade e quantidade e um processo terapêutico pode ajudá-la nisso.

Comentários (5)

5 comentários para “Nosso sentimento é especial?”

  1. Rosana disse:

    Recebi este e-mail dia 13-11-09
    E tinha decidido desde o dia 06-11-09 que não iria mais proucurá-lo porque eu fui na lanchonete dele e fiquei observando a vida dele tanto social , quanto afetiva e me senti uma pessoa tão pobre,tão vazia e decidi que eu não queria e nem merecia aquilo pra minha vida,pois ele fechou as 1:40hs da manhã e em um estado de muita ansiedade chamou o filho dele que já dormia, para levá-lo para casa da mãe do menino que demoraria +- uma hora para chegarem até o destino e na volta ele iria assistir a um show de famosos, e levando duas amigas e pela ansiedade talvez fosse se encontrar com alguém pois nem por gentileza arriscou em me convidar. De verdade eu estava cansada e eu acho que não aceitaria o convite mas ficou a interrogação, pois não passei pela oportunidade de de decisão e ficou pelo capricho dele.
    Agora só tempo mostra à a mim, a ele e a todos que já cansaram de ouvir minhas fraquezas.
    E a reação de uma ação e ele nem sabe o quanto me ajudou nesta definição.

    Muito agradecida Dra. Sabrina mesmo tendo recebido seu apoio posteriormente ele ainda me ajudou em saber que escolhi o melhor para mim.

    Rosana

    • Rosana, gostaria de parabenizá-la pela decisão de grande coragem! Mudanças, mesmo sendo difíceis trazem grandes recompensas. Busque para você o afeto que você merece e que com certeza está disponível. Quando encontrá-lo, permita-se aceitá-lo. Um abraço.

  2. Rosana disse:

    Minha neta tem 1 ano e 2 meses, menina determinada, de opinião própria mas nem por isso manhosa.
    Está acontecendo o seguinte: com 4 meses de idade começou a ir para uma escola particular e se adaptou fácil, tanto que na saída as vezes não queria sair do colo da pagem. Dois meses depois iniciou em uma creche da prefeitura onde temos ótimas referencias, pois algumas das nossas crianças já frequentaram e todas se adaptaram muito bem.
    Mas minha neta experimentou tres dias e no 3o. a diretora pediu para o responsável ir buscá-la, pois estava triste, apática, não queria comer…isto ocorreu na sexta-feira.
    Já na segunda voltou para a escola que estava, mas ontem a pagem comentou com o pai dela, que ela fica à parte das outras crianças, não quer mais interagir, está meio que triste . Gostaria do teu parecer.

    • Rosana, é muito difícil dizer com certeza o que está acontecendo com a sua neta apenas com as informaçãoes que você me deu. No entanto, o que pode estar acontecendo é uma dificuldade de adaptação a uma nova realidade. Crianças dessa idade precisam de uma estrutura em que se sintam seguras. É comum as crianças reagirem da forma que sua neta está reagindo quando estão inseguras ou com medo. A mudança frequente de casa, escola, de pagens ou babás é sempre difícil quando elas são pequenas, por que essa mudanças fazem com que a criança se sinta desprotegida. Eu diria que o mais adequado é mantê-la nessa escola em que ela está por mais um tempo, acompanhada por alguém (você, mãe ou pai) que possa ficar nas dependências da escola e observar se ela começa a se adaptar melhor. Trocá-la de escola ou tirá-la de lá agora, provavelmente vai fazer com que ela tenha mais dificuldades a longo prazo. Entre em contato se precisar de mais alguma coisa, ok? Abraço.

  3. rosana disse:

    Muito obrigada pela atenção.
    Realmente, foi uma fase passou e está bem resolvida.
    abraços

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